SBTVP - Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada


ENTREVISTA REVISTA "SEXTO SENTIDO"

Inserida em: 06/04/2014

ENTREVISTA REVISTA

TERAPIA DE VIDAS PASSADAS

 

De acordo com algumas religiões e filosofias, a personalidade do ser humano é o resultado das encarnações passadas mais a encarnação presente. Assim, pode-se dizer que tudo o que somos hoje é o resultado do que aconteceu em nossa vida presente, desde a concepção, e de nossas vidas passadas.
A Terapia de Vidas Passadas (TVP) é um método que leva o indivíduo a relembrar os traumas do passado (de vidas anteriores a esta), libertando-o dos bloqueios que atrapalham seu desenvolvimento na vida atual. Por meio dela, acontece uma expansão de suas capacidades pessoais e a eliminação gradativa dos sintomas que o afligem no presente. Em alguns casos, a TVP também pode ser usada como um tipo de experiência espiritual.
O nome Terapia de Vidas Passadas (Past life Therapy) foi criado em 1967, pelo psicólogo Morris Netherton, na época em que desenvolveu um sistema próprio de hipnose, denominado Hipnose Ativa.
Diversas teorias explicam a TVP. “Um delas justifica a técnica como sendo fruto de lembranças registradas pelo Inconsciente coletivo; outra, fala em Memória Genética ou ainda, de Imaginação Criativa. Se, para resolver determinado problema, o inconsciente se utilizou da imaginação ou se a vivência é fruto de uma dessas teorias, não importa. O que importa são os resultados eficazes comprovados”, diz Alessandra Barreto em Terapia de Vidas Passadas (www.phoenixespacoholistico.com.br).
A TVP deve ser encarada como um método que facilita a cura e a harmonização da vida das pessoas. Assim ela deve ser usada apenas dentro destes objetivos e não como uma forma de satisfazer a curiosidade pessoal (quem fui no passado?). Ela tem como base a “hipótese do corpo objetivo” em que a consciência se manifesta por meio de diversos veículos. O corpo físico seria um deles. Os outros sobreviveriam à morte física e já existiriam antes mesmo do nascimento do planeta. Eles são conhecidos como corpo astral, períspirito, psicossoma ou corpo psi.
Entretanto, para grande parte dos pesquisadores acadêmicos, a existência destes corpos é questionável e improvável. Assim, muitos acreditam que as lembranças do indivíduo durante uma regressão às vidas passadas são fruto de pura imaginação ou fantasia. Mas, independentemente da veracidade das recordações, o que se sabe é que a TVP pode ajudar a vida de cada indivíduo, assim como os seus relacionamentos com as pessoas e o ambiente em geral.

 

O QUE É?
“A Terapia de Vida Passada ou TVP constitui uma forma particular de abordar e tratar problemas psíquicos ou físicos, tendo por base uma concepção de natureza humana que inclui a hipótese da reencarnação. Esse alicerce antropológico confere à TVP o status de modalidade terapêutica com bases científicas, e sua metodologia se fundamenta no fato de que a maior parte dos problemas psicológicos e/ou físicos encontra-se associada não apenas ao período que compreende o nascimento e etapas posteriores, mas também, e principalmente, nas fases que envolvem experiências ocorridas em outras vidas”, diz Davidson Lemela, graduado em Psicologia, pós graduado em Neuropsicologia Clínica pela Universidade de Araraquara e especializado em Terapia de Vidas Passadas pela SBTVP, onde exerce o cargo de diretor geral de cursos. O método “utiliza como ferramenta para acesso ao inconsciente a regressão de memória, instrumento de prática clínica que permite remexer e extrair do arquivo morto das memórias mais profundas, as vivências desastradas do passado do paciente”.
Lemela explica que “Em muitas dessas experiências anteriores, ocorreram episódios difíceis ou mesmo trágicos, alguns com elevada carga de conteúdo emocional. Por uma série de motivos, ainda não conseguimos nos desligar deles, o que acaba por interferir em nossa vida hoje, transformados em distúrbios físicos ou psíquicos de complicada solução, muitas vezes desencadeados nos mais variados transtornos psicopatológicos. Durante o processo de regressão de memória, o paciente irá se recordar de experiências passadas que tenham estreita relação com os problemas atuais. Uma pessoa, por exemplo, que tenha na vida atual medo de altura, que não consegue chegar perto de um lugar alto ou de uma janela que já passa mal, poderá lembrar-se, por exemplo, durante a regressão, que numa outra vida foi atirada de um penhasco. Ao se recordar desse fato, descobre que seu medo, que parecia irracional, na verdade está ligado a algo que já aconteceu há muito tempo, e que, portanto, não faz mais sentido hoje. É como se a pessoa hierarquizasse em seu psiquismo aquele conteúdo do passado, tornando-o irrelevante, desligando-se do fato, e, portanto do medo”.
Sobre o método, Lemela explica que “Durante a regressão o paciente não vai dormir ou ficar inconsciente. Também não corre o risco de morrer na regressão, nem ficar preso no passado, pois que ele não irá a lugar algum, é o passado que retorna. O paciente ficará o tempo todo consciente e no controle da situação. Algumas pessoas se emocionam durante a regressão, outras não, e algumas não sentem nada. No processo da terapia, o importante é a história que o paciente vai contar, e não a quantidade de lágrimas que derramou, pois essa história é que irá ajudá-lo a solucionar seus problemas atuais. Muitas pessoas e até crianças se lembram do passado espontaneamente, ou sonham com vidas passadas”.
A psicóloga Maria Cristina Rocha de Oliveira, formada na USP em 1985, com formação em Terapia de Vidas Passadas pela SBTVP (Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada), explica que a TVP “não é reconhecida legalmente pelo Conselho Federal de Psicologia, embora a formação em Terapia de Vida Passada tenha como pré-requisito a formação em Psicologia ou Psiquiatria. Os psicólogos ou psiquiatras que optam por este tipo de terapêutica não podem utilizar o título de formação original (psicólogo ou psiquiatra) vinculado à sua prática, devendo apenas ser categorizados como Terapeutas de Vida Passada”.
“Infelizmente o Conselho Federal de Psicologia, tem rejeitado formalmente, sem conhecer, a TVP que apresenta como pressuposto básico a hipótese da reencarnação, por achar que não se trata de matéria cientificamente comprovada”, opina Lemela. “Contudo, qual abordagem psicoterápica, ou procedimento terapêutico o é? Parece que essa questão não é relevante, no entanto, os limites estão bem demarcados. Pois onde estão as provas científicas, laboratoriais das demais técnicas, que não mais possuem a seu favor que a palavra sistematizadora e geralmente complexa de seus criadores? Vários pesquisadores conceituados de academias renomadas em todo mundo, tem se debruçado sobre o tema reencarnação, e um número volumoso de provas já se acumulou a seu favor que qualquer teoria, por mais extravagante que fosse, já teria sido aceita com a metade dessas provas”.
O psicólogo Lemela destaca que alguns conselhos normativos mundo afora ainda preferem situar a TVP na esfera das terapias alternativas, podendo ser aplicada somente de forma experimental. “Tal rótulo, entretanto, é inconcebível para um trabalho cujo embrião se formou há mais de 40 anos. Mas grande parte dessa culpa cabe aos próprios profissionais de TVP que além de nada publicarem com embasamento técnico-científico relativo ao trabalho por eles executados, ainda se deixam seduzir pelas promessas de curas mirabolantes, ou então se enchem de zelo por não quererem se expor demais ao consenso da comunidade científica”.

 

TVP E ESPIRITUALIDADE
De maneira geral, desde que foi criado oficialmente, o método é observado com ceticismo pelos meios acadêmicos, por psicólogos e psiquiatras. Alguns adeptos da Doutrina Espírita, por sua vez, o condenam por considerarem um erro “trazer” o passado (encarnações anteriores) de volta para a vida presente.
Dessa forma, a TVP transita ainda entre a crença no método e a ciência. Apesar destes fatos, a procura pelo método tem aumentado em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil, onde institutos e sociedade capacitam cada vez mais psicólogos neste tipo de terapia.
Considera-se que geralmente tanto os profissionais que empregam a técnica como os pacientes possuem crenças sobre a existência do espírito e do seu retorno em vidas sucessivas (reencarnação).
Oliveira explica que a TVP “leva em conta a crença de que o Espírito é imortal e que reencarna por inúmeras vezes, extraindo lições e aprendizados de cada uma de suas vivências. Assim sendo, a dimensão espiritual do homem é parte integrante do diagnóstico e do tratamento da TVP, somando-se a esta as dimensões psicossocial e biológica do ser”.
“A reencarnação, como pressuposto básico da TVP, é uma das ideias mais revolucionárias desde o descobrimento do inconsciente por Freud e a teoria da evolução das espécies de Darwin. Um deslocamento do eixo de visão da humanidade maior do que o de dez teorias heliocêntricas” explica Lemela. “De uma maneira geral, os terapeutas de TVP, estão interessados nessa nova era que surge de expansão da consciência cósmica e na proposta de uma Psicologia que humaniza o indivíduo configurando-o como vencedor de si mesmo, que triunfa sobre as conjunturas em que se encontra graças aos valores espirituais conquistados. Por conhecer suas origens e as contingências de sua vida atual, o homem acabará laborando com mais segurança no seu processo de crescimento e na busca de sua felicidade. A TVP não é uma panaceia capaz de resolver tudo, contudo revela-se um instrumento poderoso e eficiente, principalmente na solução de problemas que até hoje permaneciam sem solução”.

 

INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES
Segundo Oliveira, a TVP é indicada para a resolução de vários tipos de problemas: traumas, doenças físicas, ansiedade, desequilíbrios emocionais em geral, depressão, entre outros. As contraindicações são para gestantes, crianças, transtornos psíquicos e dependência química em geral. A psicóloga cita como exemplo o caso de um paciente do sexo masculino com quadro de depressão, dependente de medicamentos, sudorese excessiva, dificuldade de falar em público. Após três meses de tratamento, ele conseguiu retomar sua vida, posicionar-se diante de seus companheiros de trabalho. Os medicamentos foram se tornando mais raros, a sudorese diminuiu. Sentiu-se mais seguro, confiante e sereno.
“O que de pior pode acontecer numa TVP, é não acontecer nada”, esclarece o psicólogo e terapeuta Lemela. “No entanto, ela não é recomendada para mulheres grávidas, pois a mãe pode acessar alguma experiência dolorosa do passado, durante a regressão, e isso afetar emocionalmente o bebê que está em formação no seu útero, uma vez que ele pode identificar como uma experiência sua. Também não é indicada para portadores de doença mental, ao excepcional e para pessoas que possuem doenças cardíacas e autoimunes descontroladas. No mais, não possui qualquer outra restrição, sendo indicada inclusive para crianças”.

 

Giovana Campos - Depto. de Marketing - SBTVP